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Brincar de Rua

brincar, saúde infantil, comunidade

As crianças portuguesas são das mais sobrecarregadas com horas letivas (nos países da OCDE), das que apresentam maior taxa de obesidade (uma em cada três, segundo dados da OMS) e das que passam mais tempo por dia em frente a um ecrã - em média, 2h30 por dia, segundo o estudo EPHE (2015). Uma revisão quantitativa de mais de quarenta estudos demonstrou que brincar está significativamente relacionado com o desenvolvimento de competências de resolução criativa de problemas, de comportamentos de cooperação, de raciocínio lógico - comprovados pelos resultados nas provas de avaliação de QI - e à popularidade dos miúdos entre pares (Fisher, 1992. The impact of play on development: A meta-analysis. Play & Culture, 5, 159-181). A contrário do que acontece em países como a Alemanha, em Portugal a cultura do brincar, da “ocupação” e fruição dos espaços tem tendencialmente desaparecido, tirando oportunidades de desenvolvimento às crianças e vida à dinâmica dos bairros. Inspirados na realidade da Europa do Norte, em particular da alemã, desenvolvemos o Brincar de Rua, projeto que irá proporcionar experiências de brincar livre, não digital, em espaço urbano, para crianças dos 5 aos 12 anos. O projeto promove: - a criação de grupos de brincar comunitário, nos quais as crianças do bairro se inscrevem livremente; - a formação de monitores/ mediadores para cada grupo - asseguram a segurança dos miúdos e, se necessário, sugerem brincadeiras; - o envolvimento dos agentes locais interessados. Tudo isto numa atmosfera em que se garantem os elementos fulcrais para que as crianças possam brincar de forma totalmente segura, recorrendo a uma plataforma web que põe monitores e pais/ cuidadores em contacto estreito e a um sistema de localização que cada criança usa durante o tempo de brincar (igualmente acessível aos pais/ cuidadores). Cada grupo de brincar entrega às crianças da sua comunidade experiências de encontro entre pares, em que a proposta de atividades gira em torno do brincar livre e espontâneo e do jogo não digital. As crianças envolvem-se em experiências de elevado carácter exploratório, criativo e psicomotor - combatendo assim o sedentarismo e desenvolvendo competências pessoais e sociais; os pais, avós e demais cuidadores garantem a segurança dos miúdos numa atividade que lhes dá prazer e lhes devolve o contato com o bairro e com o espaço natural urbano; o bairro ganha “ocupação” desses seus espaços, participação e envolvimento através duma causa consensual: a promoção da saúde e bem-estar das crianças.

Francisco Lontro

Visionário
Leiria, Portugal

Neide Eloisa Carreira Pedro

Facilitador
Berlim, Alemanha

Erica Silva

Facilitador
Lisboa, Portugal

Vitória Lúcia de Sousa Rodrigues

Facilitador
Peniche, Portugal

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