Lá se pensam, cá se fazem.
Login

LUA DE LEITE

Vinculação, Amamentação, Saúde

LUA DE LEITE Cuidados Pós-Parto Domiciliares Lua de Leite parte da identificação de uma lacuna e de uma oportunidade: a ausência de cuidados pós-parto domiciliares, de baixo custo e de acesso universal em Portugal e a possibilidade de modelar um serviço de prestação destes cuidados inspirado nos existentes noutros países, nomeadamente Reino Unido e Países Baixos. Lua de Leite pretende chamar a atenção para a importância decisiva de cuidados adequados no período do pós-parto - também conhecido por Lua de Leite - para a promoção da saúde física e emocional de mães, bebés e famílias e, por extensão, para a saúde das comunidades. __ SOBRE A LUA DE LEITE Lua de Leite é o período que se segue ao nascimento, também conhecido por puerpério ou pós-parto. A duração deste período é imprecisa e variável, podendo apontar-se como referência uma extensão média de 6 semanas. É um período de intensas mudanças, físicas e emocionais e, por isso, bastante exigente. O bebé está a fazer a sua adaptação à vida extra-uterina, quase tudo é novo para ele e alguns dos seus órgãos e sistemas continuam ainda em acelerada maturação. Precisa da maior disponibilidade possível por parte da mãe, ela que é a principal permanência na sua vida, agora que abandonou o resguardo do útero. A mãe, por seu lado, ainda que não seja o seu primeiro filho, é neste momento uma mãe recém-nascida. Também ela está a tatear por entre uma nova realidade, seja porque até então não era mãe, seja porque passou agora a ser mãe de mais um filho e tem que gerir a sua integração junto das outras crias e de si própria. Igualmente para o pai, este período é muito particular. Pela mesma ordem de razões, também ele é um pai recém-nascido, a aprender o seu novo ou renovado papel de pai! Embora não viva alterações fisiológicas, as emocionais e vivenciais são pelo menos tão intensas como as da mulher. Para a mulher, também fisicamente este é um período peculiar. Alterações hormonais e fisiológicas marcam estes tempos após o parto. Os órgãos reprodutores da mulher estão a voltar ao seu estado de antes da gravidez e há a recuperação do esforço do parto e, eventualmente, das cicatrizes que tenha deixado. Também se fazem sentir alterações hormonais, com a descida abrupta dos níveis de estrogénio e progesterona a necessitar de compensação através da produção de oxitocina e prolactina asseguradas pela amamentação, repouso, tranquilidade e contacto físico. Oxitocina e prolactina produzem um reforço da imunidade e activação do sistema nervoso parassimpático, responsável pela recuperação do stress, aumento da tolerância (nomeadamente à falta de sono) e facilitador dos processos de vinculação e têm assim, um papel preventor da depressão pós-parto. A Lua de Leite é o tempo da vinculação, o tempo em que a mãe e bebé e o pai e o bebé se conhecem e aprendem a amar-se. Como quaisquer amantes no começo de uma relação, mãe, pai e bebé precisam de tempo a dois ou a três, sossego e tranquilidade para estarem uns com os outros e uns para os outros. Tudo que desvia a atenção e a energia da mãe recém-nascida para longe do seu bebé recém-nascido é de evitar. Horários, responsabilidades, tarefas fora deste universo da vinculação entre mãe e bebé são supérfluos nesta fase. O grande trabalho durante a Lua de Leite é o do amor. Tudo o resto pertence a um segundo plano. É esse amor que lança as bases de uma relação sólida entre mãe e filho e constrói para o bebé um lugar seguro na vida. Esse espaço para o amor é também o que permite à mãe conquistar confiança nas suas capacidades enquanto mãe, seja para prestar ao bebé os cuidados diários seja internamente, para se fortalecer no seu novo papel e ultrapassar os fantasmas e inseguranças que toda a mulher carrega consigo, pelas mais variadas razões. E o pai é o zelador principal deste tempo de amor, o mais desejado protetor da mãe e do bebé, ao mesmo tempo que faz o seu próprio trabalho de vinculação. A Lua de Leite é também o tempo da criação de rotinas de alimentação. O tempo em que a amamentação é ensaiada, aperfeiçoada e transformada no momento privilegiado de nutrição física e emocional, do precioso e imprescindível contato pele com pele, que pode e deve estender-se ao máximo de momentos possíveis, para além da amamentação. Em termos muito práticos, que cuidados são adequados para que a Lua de Leite seja vivida ao máximo e permita à mãe, ao pai e ao bebé estabelecer a sua relação, recuperar da rutura que o parto introduz nas suas vidas e fortalecer-se física e emocionalmente? COMPREENDER Compreender a importância de viver este período como uma lua de leite, com tempo e dedicação para com o bebé, tal como os casais em lua-de-mel. Desta compreensão nasce a aceitação e a capacidade de a mãe não se sentir culpada porque tudo o resto fica, nesta fase, para segundo plano: é a natureza a fazer o seu trabalho de preservação da espécie, trazendo a mulher para um espaço íntimo e interno onde se pode dar ao seu bebé e garantir a segurança física e emocional dele e a sua própria recuperação física e emocional. É importante que esta compreensão seja partilhada pelo companheiro, para que ele consiga situar-se neste contexto temporário e entender de que forma melhor poderá prestar apoio. Compreensão é também conhecimento e reconhecimento acerca das exigências físicas e emocionais desta fase para que possa existir compaixão da mulher consigo mesma, em lugar de impaciência e auto-recriminação pelo cansaço e menor capacidade de desempenhar outras tarefas que não as de cuidar do bebé RECOLHER Só num certo recolhimento é possível repousar o necessário e encontrar e dar dentro de si lugar para todas as emoções e mudanças. As visitas são de evitar nestes primeiros tempos. Isso não quer dizer que a mãe deva estar isolada, pelo contrário, mas sim que deve dar-se o direito de restringir o número e a duração das visitas àquilo que lhe for confortável e estar atenta a sinais de exaustão, sua ou do bebé, para ajustar a exposição dos dois a terceiros àquilo que lhes for tolerável e confortável. As visitas, embora bem intencionadas, podem também ser uma fonte de insegurança para os pais recém-nascidos, com a multiplicidade de dicas e conselhos e histórias de como procederam no passado. O momento é para o presente e para o aqui e agora. Com tantas vozes em torno de si, é difícil para os pais reconhecer a sua própria voz e sintonizar-se com ela. Silêncio e recolhimento são necessários para o encontro consigo mesmos imprescindível neste período de construção enquanto mães e pais. APOIAR-SE Dar-se ao direito de contar com o apoio dos outros quando o oferecem ou pedi-lo quando necessário será aquilo que permitirá aos pais viver este período da forma que é orgânica para a espécie humana e portanto a mais confortável e geradora de bons desfechos para todos: em tribo. Somos mamíferos gregários. Não estamos adaptados para a vida solitária, muito menos quando temos uma cria pequena a nosso cargo. Este é o momento de reforçar vínculos sociais e familiares com pessoas da confiança da mãe e do pai. Que eles tenham e sintam a liberdade de pedir ajuda e a possibilidade de o fazer, junto de quem entendam. Pode ser a mãe, uma irmã, uma amiga, mas também uma profissional - uma doula de pós-parto, uma educadora perinatal ou uma conselheira de amamentação, se houver alguma dúvida ou dificuldade nesta área específica. Quem quer prestar apoio, que seja a visita silenciosa, que toma a seu cargo aquilo que vê que precisa de ser feito e se mantém atenta para não impor a sua presença para além do desejado. DESFRUTAR A lua de leite pode ser verdadeiramente mágica e magicamente maravilhosa. Tempo para longos olhares, para o toque amoroso, para respirar o cheiro do bebé, entregar-se a ele e celebrar o amor. Quanto mais entrega puder haver nesta fase, mais fortalecida fica a relação entre pais e filho e melhor equipada está a família para os muitos desafios e descobertas que a esperam. Que o pós-parto possa ser vivido com encantamento, mesmo entre desafios e cansaço. E que a comunidade, próxima ou alargada, possa ser uma rede segura de apoio, atenta às necessidades da família e pronta a sinalizar cuidados precisos e intervir de forma afetiva e efetiva quando a ajuda faz falta. Lua de Leite - Cuidados e Vivência do Pós-Parto constitui-se como uma plataforma de apoio para que os casais possam, todos eles, ter condições para viver a sua própria lua de leite da forma mais saudável possível, através do acesso a cuidados domiciliares básicos de saúde física e emocional adequados a esta fase tão particular.

Isabel Valente

Visionário
Estoril, Portugal

Ana Cardetas

Facilitador
Londres, Reino Unido

Mafalda Pereira da Silva Velez Mendes

Facilitador
cascais, Portugal

Sara Do Vale

Facilitador
Lisboa, Portugal

Fátima Marques

Facilitador
None,

Patricia Capela

Facilitador
Vila Real, Portugal

Ines Anjo

Facilitador
Lisboa, Portugal

Maria Pereira

Facilitador
Londres, Reino Unido

Comentários