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Casa da Bicicleta

mobilidade sustentável, partilha, inclusão

A Casa da Bicicleta pretende transplantar para Portugal uma amostra da cultura nórdica (e não só) do uso da bicicleta na mobilidade quotidiana, como forma de acelerar a adopção deste estilo de vida pelos portugueses, reduzindo as barreiras com que estes ainda se deparam. Queremos tornar mais fácil e acessível trocar o carro pela bicicleta nas pequenas deslocações do dia-a-dia, e também trocar tempos livres dentro de portas por alternativas activas, ao ar livre, em bicicleta. Muitos de nós tivémos já a oportunidade de visitar ou de viver noutras cidades europeias onde o uso da bicicleta é prevalente, ficámos maravilhados ao ver mães a levar 2 e 3 crianças à escola de bicicleta, pessoas a transportar todo o tipo de objectos em bicicletas de carga, pessoas de idade avançada a fazer a sua vida de bicicleta para aqui e para li, crianças em grupos a pedalar para a escola, e também nós aderimos a este meio de transporte com a mesma naturalidade de quem lá vive. Mas depois chegamos a Lisboa e lamentamos não poder continuar a fazê-lo, nem em lazer, e frustra-nos privar os nossos filhos dessas experiências. Porque não se encontram bicicletas destas à venda, porque as nossas casas não têm sítio onde as guardar, porque não conhecemos muita gente que também use a bicicleta no dia-a-dia, porque temos receio de andar na estrada, etc, etc. O projecto da Casa da Bicicleta é para servir a população em geral, mas é uma ideia que surgiu a pensar especialmente nas necessidades das famílias com crianças, das famílias e instituições com pessoas com necessidades especiais a seu cargo, dos mais velhos, e também dos desempregados e sub-empregados a planear lançar negócios próprios em que a bicicleta poderá ser a base ou pelo menos uma ferramenta importante (street food, estafetagem e micrologística, artesanato, entre outros). A Casa da Bicicleta terá à disposição da comunidade uma frota diversificada de bicicletas e triciclos, e ainda uma “biblioteca” de componentes como selins e guiadores, de acessórios como cadeiras de criança, atrelados, cestos e alforges, além de livros. Os custos de aquisição e manutenção serão distribuídos por todos os membros, que terão assim acesso fácil a soluções para todos os gostos e necessidades, para usarem sempre que precisarem, e apenas quando precisarem, a um preço acessível e de forma prática. Os membros terão também acesso a uma oficina equipada onde poderão aprender a fazer, e fazer, a manutenção das suas próprias bicicletas, sozinhos, em conjunto, ou recorrendo a mecânicos profissionais sempre que precisem. Manter a bicicleta a rolar em boas condições será fácil, económico e um pretexto para socializar. A partilha de conhecimentos, competências e experiências, e o aspecto social, é outro dos vectores essenciais do projecto. A Casa da Bicicleta terá tertúlias, workshops, aulas de condução, campos de férias para as crianças, feiras de usados, sessões de reabilitação física para quem delas possa beneficiar, sessões de cinema, passeios, viagens e excursões em bicicleta, e outras actividades que ponham as pessoas em contacto, que melhorem as suas experiências de mobilidade em bicicleta e que validem e reforcem a sua adesão à bicicleta. A Casa da Bicicleta pretende funcionar como uma incubadora para uma nova e reforçada cultura da bicicleta em Portugal, que nos ajude a depender menos do automóvel e a ter uma vida mais activa e mais ligada aos outros, criando assim cidades mais seguras, mais verdes, mais prósperas, mais inclusivas, em suma, cidades mais atractivas para viver e trabalhar em qualquer fase e circunstâncias da vida. A Casa da Bicicleta quer democratizar o acesso à bicicleta e, através desta, o acesso à vivência da cidade.

Ana Pereira

Visionário
Lisboa, Portugal

Bruno Santos

Facilitador
Lisboa, Portugal

João Peixoto

Facilitador
Sevilha, Espanha

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